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Foto: Divulgação – Arquivo ZMP

A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade

É evidente que as emissoras de rádio usavam o que havia de melhor, mas a tecnologia estava muito aquém do que era necessário. Fazer uma transmissão externa era muito difícil. De todo modo, a Rádio Sociedade de Feira esteve sempre à frente e Itajay Pedra Branca falou de Recife e Londres, na Inglaterra, de forma pioneira.

Internet, telefone celular, alta tecnologia: uma extraordinária diferença em relação às transmissões esportivas feitas pelo rádio nas décadas passadas, que dependiam de um sem-número de equipamentos — maletas de som, antenas, microfones, mesa de som, receptores, fones, centenas de metros de fios — e, indispensavelmente, um técnico de externas, ou alguém da equipe suficientemente preparado para tal. Uma transmissão esportiva a ser feita por uma emissora de Feira de Santana, do estádio da Fonte Nova, Salvador, a pouco mais de 100 km, significava um dia inteiro de trabalho, principalmente na montagem dos equipamentos, testes, ajustes, monitoramento e desmontagem final. E nem sempre o resultado era pleno.

Na década de 1960, a Rádio Sociedade de Feira e a Cultura de Feira formavam fortes equipes esportivas e lutavam pela audiência, mantendo programas esportivos diários, ao meio-dia ou matinais, às vezes também no horário noturno, tentando “segurar” ao máximo o torcedor. Era o tempo de grandes narradores como Itajay Pedra Branca, Edmundo de Carvalho Junior-Palito, Aloisio Farias, Osvaldo Junior (Rádio Sociedade), Osvaldo Barreto, Ginaldo Nascimento, Ivanito Rocha (Rádio Cultura), e também de repórteres como Marivaldo Bastos, Jair Cezarinho, Lucio Bonfim, Nelson Filho, Jaques Pinheiro, Agnaldo Santos, todos muito jovens, e comentaristas como Dourival Oliveira, Moacir Cerqueira, Gaspare Sarraceno, Dilson Barbosa e Zadir Porto.

As transmissões de jogos do Campeonato Baiano, de Salvador, Ilhéus e Itabuna, demandavam enormes dificuldades, inclusive de ordem financeira, já que uma equipe de esportes viajava com pelo menos cinco profissionais. Todavia, o que mais dificultava era a parte técnica, e nessa missão, a Rádio Sociedade de Feira contava com Amadeu Pitanga de Jesus, que, além de motorista, era hábil e incansável técnico de externas.

Todavia, como um verdadeiro desafio, a primeira transmissão esportiva interestadual aconteceu em 1963, diretamente de Recife, no jogo Vitória x Náutico. Esse evento entrou na história da radiofonia baiana como um feito extraordinário da Rádio Sociedade de Feira. Uma briga entre o presidente do Vitória, Ney Ferreira, e o radialista Cléo Meireles, da Rádio Excelsior, mobilizou a crônica esportiva da capital, que, solidária, decidiu não mais transmitir jogos do decano.

Ousadamente, e reverberando o título de ‘pioneira do interior’, a Sociedade foi a única emissora baiana presente em Recife e, apesar das dificuldades técnicas enfrentadas, angariou enorme audiência em todo o estado. Itajay Pedra Branca (narrador), Dourival Oliveira (comentarista) e Francisco Almeida (repórter) formaram a equipe que marcou o início das transmissões além das terras baianas. Fruto da evolução da tecnologia e da determinação dos dirigentes da RS, 18 anos depois, em 1981, a Rádio Sociedade internacionalizou o seu prefixo, falando do antigo estádio de Wembley, em Londres, no jogo amistoso entre as seleções de Brasil e Inglaterra, narrado por Itajay Pedra Branca.

E no mesmo dia, 13 de maio de 1981, ele falou de Roma, Itália, onde o Papa João Paulo II foi vítima de um atentado. Relatar esses fatos não é apenas rememorar eventos e abrir as páginas do saudosismo natural, é também solidificar na história gigantescos passos dados por jovens e idealistas cronistas esportivos que, sem medir a extensão das dificuldades, contribuíram decisivamente para a evolução do rádio como excepcional veículo de comunicação.

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